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:: dezembro 27, 2004 ::
INTERRUPÇÃO
(Agostina Akemi Sasaoka)
Ao toque
obscuro
desfez-se a boca.
Lábios espatifados,
lua úmida...
Infinda,
a pele tomba
em acrobacias subterrâneas.
Tantos dedos,
tantos pêlos...
Pendendo do corpo
o outro corpo
(insustentável encaixe).
Olhos:
balançam em colapso
na beirada do inferno.
Pelas pernas
- de repente -
a mosca,
em pousos suicidas.
Inútil:
nada mais
deteria o caos.
dito por li stoducto
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:: dezembro 24, 2004 ::
NATAL NEGRO
Minha árvore de Natal
não tem presente
aqui tudo vai mal
com a tua
au
sên
ci
a
(eliane stoducto)
dito por li stoducto
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:: dezembro 12, 2004 ::
pintura de Daniela Navarro
Em desalinho...
(eliane stoducto)
dias dementes:
mente oca
lábio amargo
alma louca
boca silente
dito por li stoducto
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:: dezembro 05, 2004 ::
RETRATO CANTADO
Música: Márcio Proença
Letra: Aldir Blanc
Quem me vê sentado
atrás dessa mesa de escriturário,
não vê o tarado, o louco, o sanguinário,
o bárbaro sem véu,
o estripador cruel.
Não me vê no convés
de um veleiro de três mastros
me guiando pelos astros
a caminho de Bornéu.
Não sabem que eu roubo
meninos na praça quando a tarde cai
e que os vespertinos já me apelidaram
de monstro assassino
do Parque Shangai...
Mas eles não sabem
que eu sou gigolô de beira de cais
que eu sou o autor do crime da mala
que eu larguei o trapézio por beber demais...
E nem imaginam
as atrocidades que vou cometer
Não desconfiam
que a causa de tudo
é não conseguir me esquecer de você
Eu não consegui
me esquecer de você...
canta Aldir Blanc
dito por li stoducto
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