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:: março 25, 2005 ::

a noite
na sala a penumbra descai o abat-jour e o dia na subtracção dos momentos exíguos
Helena Monteiro Lisboa,7 de Março de 2005
dito por li stoducto
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:: março 23, 2005 ::

LIBERDADE
(glória horta)
Que pena eu ter meu caminho como um rio que corre sem misturar-se como uma nuvem que passa sozinha como uma estrada que segue sem bifurcar-se.
Que pena eu ser assim: sem afluentes. Sem parcerias. Sem dono. Sem encruzilhada. E ter a cara inteira, não metade. Que pena eu ser total, não ter um trevo; uma esquina Uma paralela, uma brecha. Um espaço em mim, que pena eu ser assim: com divisas. que pena eu ser assim: um sem outro. Como um único sol e uma só lua. E não como as meias: aos pares.
dito por li stoducto
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:: março 17, 2005 ::

FRAGMENTOS
(sérgio godoy)
I
Na boca escura de sua noite
Sou frágil a seu tamanho
Incapaz de resistência
Na boca escura de sua noite
Deixo minha pele rasgar-se
Voraz é sua fome
Versátil é minha maneira
- Devora-me!
II
Com avidez mordi a fruta que de tão madura
Explodiu em minha boca
Doce
Doce sabor entre meus lábios…
Minha língua perdida em êxtase
Aos poucos tudo foi passando
Desaparecendo
Completamente de meu corpo
III
Aproximou-se de mim:
Incoerente
Mascarado
Pretendente de grande vitória
Afastou-se decepcionado
Inseguro
Ferido no peito
- Triste sedução!
III
Acordei e em meus pés um pássaro qualquer
Acabava de morrer
Agora seu corpo sem vida era apenas estátistica
Senti frio
Senti sono
Voltei a dormir
IV
Naturalmente
Pronto para servir:
Sou o pássaro morto em seu prato branco!
VI
Irei buscar-te
Mesmo que não queiras
Irei amenizar tuas lágrimas
- Simplesmente
( Sem tí também morreria )
Gritarei entre sombras e luzes
Tua voz
É minha voz
Infinito som no universo
Dois
E nada mais…
VI
Aos amores deixados no passado
Hoje trago lembranças
No futuro, minha presença
A vida com seus mistérios - Nem Marie Antoinette
Imaginaria…
VI
Eu que não suporto hipocrisia
Indiferença
Preconceitos e limitações
Solitário fico
Como ave de rapina
Atento
Meticuloso
Previsível
VII
Raízes firmes na terra
Folhas soltas ao vento
Germinar e crescer
Suceder
Momento de interdição
Infinito no horizonte…
VIII
Noite escura
Tão escura
E sem luar para nos espiar
Corro meus dedos em seu corpo
Tateando o mapa de seus cabelos
Chupando sua ereção
Gozando sobre meu peito
Umedecendo meu olhar…
IX
Na tua pele o sol
Na tua pele o sal
Brincar na areia
E se esconder
Em tuas mãos o tempo
Em teu corpo o vento
X
Teia
Aranha
Essa manha
Seu poder de paralisar
Na manhã fria
No nevoeiro
Gotas de fina chuva sobre seu olhar
Desdenhas
E
Desenha
Sua plena figura pronta para atacar
Teia
Aranha
Rendas de saliva
Balanço no ar…
XI
Revelação sem segredo
O céu aberto e simples
O vento
Revelação sem milagre
Sem pena
Sem lágrima
Revelação sem surpresa
Entregue
Exposto
Revelação sem retorno
Passagem
Movimento
Revelação de seus motivos
Inato
Inconcebível
XII
Brutalidade
Invasão
Poder e superioridade
Morre em segredo a justiça
Tudo passa rapidamente
Tudo se esquece
Pouco amor resta quando a sujeira na pele faz ferida
Expõe
E sangra
Tanta corrupção!
XIII
Em São João Del Rei
Vi bonecas de argila com olhos esbugalhados
Em Tiradentes vi igrejas caindo aos pedaços
Na Europa vi o ouro de Minas reluzindo em muitas casas…
dito por li stoducto
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:: março 10, 2005 ::

manifesto
Para Li Stoducto
é sempre árduo o ofício de negar de construir manhãs sem máculas como se cada momento fosse único como se cada instante fosse mágico
há que estar pronto pra passar por louco há de suportar a solidão do espírito que acomete aos que não cumprem ritos e colhem escárnios deste mundo mouco
é sempre árduo negar a mídia não se mediocrizar às razões em voga deixar que pele nova cubra feridas não tomar o passado como droga
porém
é preciso deixar nascer o novo homem que não carregue a culpa antepassada impossível de purgar porque herdada e cuja lembrança é somente estorvo
é preciso construir o homem universal aquele que as diferenças não separam porque o negro é tão belo quanto o claro e qualquer segregação é imoral
não quero aprisionar meu carcereiro não quero matar meu assassino não se construirá novo destino continuando do passado prisioneiros
de Fred Matos
dito por li stoducto
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:: março 04, 2005 ::

método e forma
(nel meirelles)
singrei cinqüenta e cinco oceanos rumando os limites do meu próprio corpo
o canto do meu olho no começo do infinito se fez certeza de outros oceanos de poemas azuis na pele contraída pelos espamos do recomeço eterno
dito por li stoducto
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:: março 02, 2005 ::

tristesse
(adair carvalhais jr)
chorei como a lua que se abriga de manhã procurei
te como a água ao fogo onde já não estavas
meu corpo curvou -se sobre teu vazio enfermo de tantos
degredos segui em busca de mais
nada
dito por li stoducto
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