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:: abril 16, 2006 ::

OS SINTOMAS

(silvana guimarães)


No dia em que a gente se despediu - não sei se você reparou - quem me olhasse ia pensar que nada de diferente estava acontecendo com o meu destino. Eu me mantive impávida, aparentemente feliz, sorrindo até, aliviada, como alguém que viu as coisas acontecendo do jeito que era pra acontecer. Você foi embora. Eu fui embora. Cada um pro seu canto. Pra sua vida. Não mais dividida.

Na primeira noite sem você, talvez porque estivesse exausta até nas emoções, eu dormi como um anjo e feito pedra. Preguiça de acordar de manhã e suportar o resto da existência, mas achei melhor fingir que não era comigo e levantei-me com a cara igual a de todo o dia. Desconfio que as horas estavam meio difíceis de passar, parecia que o relógio estava com defeito e inventei um monte de coisas pra empurrar o tempo.

Foi assim na primeira semana sem você. E na segunda também. Fui inventando mais coisas, arrumei gavetas, pintei as unhas de vermelho, cortei os cabelos, aprendi novas receitas, fiz bolo de amêndoas, torta de morango e licor de piqui, comprei duas tartarugas, nove peixes no aquário, plantei amores-perfeitos no jardim, rasguei todos os meus panos cor-de-rosa e comecei a estudar geografia. Pra entender as distâncias.

De lá pra cá eu não sei dizer com certeza. Não sei mais quanto tempo se passou desde então. Tem hora em que eu cismo que me falta pedaço. Não sei se acontece mais quando eu acordo ou quando eu vou dormir. Às vezes tropeço na falta de um pé. Outras vezes não seguro o copo por falta da mão. Não olho no espelho. Não abro as janelas. Não acendo a luz. Não sei se é noite ou se é dia. Dei pra sentir o seu cheiro no ar. Seu gosto passou pra minha comida. Sua voz toca nas estações do rádio e nos meus cds. Seu rosto aparece nos canais da televisão. Mesmo quando falta energia elétrica.

(Não sei se foi) Ontem, eu rolei na cama comendo bombom de cereja na sua boca e apertando, com as minhas coxas, suas mãos remexendo em mim. (Nem sei se foi) Na quarta-feira, enquanto eu rebolava e você me inundava corpo adentro no meio dos seusmeus ais de paixão, alucinada eu lambi seu suor, engoli você inteiro. Tenho a impressão de que bebemos duas garrafas daquele vinho naquela seguinte noite. Todo dia continuo a gemer e a sentir arrepios toda vez que você levanta a minha saia. E, se não me falha a memória, ainda suspiro de tanto ciúme do que não sei de você.

Sua ausência me sobra. Isso me dilacera o corpo e a alma. Deve ser por isso que às vezes eu choro. Outras vezes eu rosno. Mas tem dia em que eu uivo. Mesmo quando falta lua-cheia.

Acho que é Maria da Silva.


dito por li stoducto


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:: abril 10, 2006 ::




NENHUM LUGAR

Tite de Lemos
música de Sueli Costa

Nos sonhos teus eu sou a passageira anônima
Alguém que breve ou talvez nunca voltará
Mas tu me habitas sempre e eu sei o teu nome
Pois sou tua mulher e sou tua babá

Pareces bruxo ou navegante audaz
Todo dia partes e se te pergunto aonde vais
Me dás apenas um sorriso e nada dizes
Pois sou tua filha e sou também teu pai

Se eu não fosse tua mãe, como esperar-te
Se não fosses o todo e eu a parte
Se eu não fosse o rochedo e tu a tempestade
Se eu não fosse a senha e tu o enigma
Se eu não sentisse a tua falta
Como chamar-te e como receber-te
Quando por fim chegasses
Quando por fim chegasses
Quando por fim chegasses de nenhum lugar


canta: Eduardo Conde
do CD Íntimo
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dito por li stoducto


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