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:: julho 18, 2006 ::
LIBERDADE
(gloria horta)
Que pena eu ter meu caminho como um rio que corre sem misturar-se como uma nuvem que passa sozinha como uma estrada que segue sem bifurcar-se.
Que pena eu ser assim: sem afluentes. Sem parcerias. Sem dono. Sem encruzilhada. E ter a cara inteira, não metade. Que pena eu ser total, não ter um trevo; uma esquina Uma paralela, uma brecha. Um espaço em mim, que pena eu ser assim: com divisas. que pena eu ser assim: um sem outro. Como um único sol e uma só lua. E não como as meias: aos pares.
dito por li stoducto
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:: julho 07, 2006 ::
ninharia
silvana guimarães
Órfã de pai e mãe, acidente, aos cinco anos. Perdeu o único irmão aos quinze, overdose. Aos vinte e cinco, enterrou o filho caçula, desnutrição. Aos trinta e sete, o marido, cirrose. Com quarenta e um, o primogênito, queima de arquivo. A filha do meio, aos quarenta e oito, aids. Não resistiu à morte do gato cinza, velhice, cinqüenta e sete. Tomou veneno. No velório as pessoas lamentavam: tão cedo e por tão pouco.
dito por li stoducto
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