Com uma carreira de quase 35 anos, pontuada por seis Grammy, pela passagem por dois dos mais importantes combos da história do jazz – os Jazz Messengers e o Quinteto de Miles Davis – e pela fundação de um grupo de charneira no jazz rock – Weather Report – Wayne Shorter dispensa apresentações. Dele se poderia dizer, contudo, em jeito de síntese, que é um dos mais importantes saxofonistas e compositores da música improvisada. Nascido em 1933, em Newark, Shorter fez já parte de uma geração do jazz que passou pelos bancos das escolas de música. Durante quatro anos absorveu ensinamentos musicais na Universidade de Nova Iorque, da qual transitou para as fileiras do exército norte-americano, não sem antes ter tocado com Horace Silver. Porém, a universidade e a ‘guerra’ a sério viriam mais tarde, em 1959, quando se ‘alistou’ nos Jazz Messengers, de Art Blakey, verdadeira escola do jazz. Aí permaneceu até 1964, percorrendo o mundo e gravando com uma das melhores formações de mensageiros: Freddie Hubbard, Curtis Fuller, Cedar Walton e Reggie Workman. São deste período os fabuloso registos "Mosaic", "Caravan", "Ugetsu" e "Free For All".
Em 1964, no mesmo ano em que gavou como líder o fabuloso "Speak No Evil", seguiu-se uma nova etapa, talvez a mais importante: Shorter é convidado a integrar o quinteto de Miles Davis e participa num dos mais excepcionais combos do jazz contemporâneo, ao lado de Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams. Durante seis anos, Shorter actua não só em memoráveis concertos, como grava com Miles alguns dos seus melhores trabalhos discográficos, nomeadamente "E.S.P.", "Cookin’ At The Plugged Nickel", "Miles Smiles", "In a Silent Way" e "Bitches Brew", ajudando a criar um novo som e um momento de ruptura com os cânones do jazz de então. Adicionalmente, Shorter contribui ainda com temas da sua autoria, alguns dos quais passaram a integrar o repertório do jazz: "ESP", "Footprints", "Dolores" e "Nefertiti", entre outros.
Na sequência do projecto iniciado com Miles, Wayne Shorter não surpreende quando funda em 1970 o grupo Weather Report, uma proposta de fusão do jazz com o rock e que ainda hoje é o berço assumido de muito do que se faz neste campo. Mais uma vez, os companheiros de Shorter são alguns dos melhores músicos da sua geração, particularmente Joe Zawinul, Miroslav Vitous, Jaco Pastorius, Peter Erskine ou Manolo Badrena. Com eles grava álbuns históricos, como "I Sing The Body Electric", "Black Market" ou "Heavy Weather". Neste período e durante 15 anos consecutivos, Shorter foi distinguido pela revista Downbeat como melhor saxofonista soprano.
Durante a estada com os Weather Report, Shorter participou ainda no grupo V.S.O.P., entre 1976 e 1979, tendo a seu lado os companheiros do quinteto de Miles Davis. Em 1985, com o desmembramento dos Weather Report, Shorter concentrou-se em projectos seus, gravando e tocando com vários músicos, nomeadamente com Carlos Santana. Nos anos noventa liderou dois grupos e tocou em dueto com Herbie Hancock e recebeu um doutoramento honorário pelo Berklee College of Music.
Compositor e saxofonista, Wayne Shorter é considerado um dos mais influentes músicos do jazz moderno. Nascido no dia 25 de agosto de 1933 em New Jersey, freqüentou a NYU, onde se graduou em artes. Por um curto período, antes de entrar para o exército em 1956, Shorter toca na banda de Horace Silver e, ao sair de lá, excursiona com a Big Band de Maynard Ferguson. No mesmo ano entra para os Jazz Messengers de Art Blakey, onde permanece por cerca de quatro anos, ganhando maior notoriedade e recebendo o prêmio de Saxofonista Revelação da revista Down Beat.
O ano de 1964 foi especialmente prolífico para Shorter, que gravou três obras-primas do jazz - Night Dreamer, Ju Ju e Speak no Evil - antes de deixar os Jazz Messengers para juntar-se à segunda formação do quinteto de Miles Davis, que contava ainda com a participação de Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams.
Wayne Shorter é considerado por muitos a amálgama desta legendária formação, da qual faria parte até 1970. Improvisador de grandes recursos, passou a ser o saxofonista mais destacado dentro da cena jazzística depois da morte de John Coltrane. Em 1970, sai para formar a espinha dorsal do grupo Weather Report junto com o pianista e tecladista austríaco Joe Zawinul, com quem já havia tocado na orquestra de Maynard Ferguson. Shorter permanece no Weather Report até 1985, e nesta época sua fama já extrapolava os meios jazzísticos, o que o levou a participar de álbuns de músicos pop como Joni Mitchell e Steely Dan.
Seu disco solo de 74, Native Dancer, é considerado um clássico e conta com a participação de grandes músicos, como os brasileiros Milton Nascimento e Airto Moreira alem de Herbie Hancock. Participou do filme Round Midnight e da respectiva trilha sonora (que deu o Oscar a Hancock), onde toca ambos os saxofones.
Seja em sua carreira solo ou junto ao Weather Report, Shorter ajudou a redefinir novas fronteiras musicais, adicionando ao jazz elementos da música clássica, do rock e sons eletrônicos. Exceto por alguns curtos períodos de descanso, Shorter tem excursionado com bastante freqüência mundo afora e como outros grandes do jazz tem revelado jovens talentos. Não se deve esquecer o fato de que Shorter é também um grande compositor de temas, que se tornaram verdadeiros standards do jazz moderno.
(FJ / VAB)
Manhã tão bonita manhã
Na vida uma nova canção
cantando só teus olhos
teu riso e tuas mãos
pois há de haver um dia
em que virás
das cordas do meu violão
que só teu amor procurou
vem uma voz falar
dos beijos perdidos
nos lábios teus
canta o meu coração
alegria voltou
tão feliz
a manhã deste amor